quarta-feira, 15 de junho de 2016

Ocupar e autogestionar: Uma Universidade Libertária é possível?



Um espectro ronda as instituições estatais de ensino no Brasil, o espectro das OCUPAÇÕES. No ano passado os estudantes secundaristas de São Paulo em protesto por medidas autoritárias do governo do Estado ocuparam mais de 200 escolas e iniciaram um processo inédito de experimentação autogesttionária que nunca haviam realizado. 

O aprendizado foi único e profundo, pela primeira vez praticavam aquilo que a sociedade hierarquizada e opressora sempre disse que era impossível, auto-organizar a própria vida, incluindo aí a própria educação. 

Muitos disseram que esse era um fenomeno localizado que não se repetiria em outra parte. A surpresa dos falsos profetas foi que neste ano de 2016 as ocupações de escolas se espalharam por outros Estados. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são cenários para os novos processos de ocupação. 

Mas não só. Desde a semana passada o Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas - UFPel foi ocupado por um grupo de estudantes, em menos de uma semana, o Centro de Artes também é ocupado. Inicia-se um processo de apropriação e auttogestão do espaço educacional. 

O "templo sagrado" do saber com suas hierarquias, comandos e obediências é profanado. O que querem? Qual o objetivo? Quem lidera? Por que permitem? Afinal quem manda no que? A reitoria? A direção dos centros? os próprios estudantes? As questões colocadas aos Universitários são as mesmas colocadas para os estudantes secundaristas. São os súditos rompendo o "contrato social" com o Leviatã. Alguma coisa está fora da ordem. Até onde...até quando...para quê? para quem?


Dentro desse espectro que ronda as Universidades hoje, perguntamos:  É possível uma Educação Libertária nas Universidades? É possível uma Universidade Livre, voltada para o conhecimento e não apenas para a formação de "peças" qualificadas para servirem à engrenagem do sistema? É possível superar a lógica medieval e elitista do conhecimento como privilégio e não como possibilidade para quem o queira?

São poucas as experiências de uma educação para além da tradicional nos espaços de Educação superior na contemporaneidade.

 Uma das experiências existentes localiza-se na França, é a Universidade Popular de Caen, criada pelo filósofo Michel Onfray. 

Não acreditamos em modelos a serem copiados, mas em inspirações para criar o novo. Por isso vale a pena discutir essas alternativas.

Abaixo postamos material da Wikipédia sobre essa experiência. Uma importante inspiração para pensar uma Universidade Livre e autogestionária.


UNIVERSIDADE POPULAR DE CAEN ( Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em francês, cujo título é «Université populaire de Caen».)






A Universidade Popular de Caen (em francês: Université populaire de Caen) é uma universidade livre, criada em Outubro de 2002por Michel Onfray, no noroeste da cidade francesa de Caen.
Estrutura e funcionamento

A universidade se baseia no princípio de isenção de taxas. Acesso à Universidade Popular não exige qualquer qualificação acadêmica, e é aberta a todos. Não tem nenhum exame e nem conferência de diplomas. O fundador e apoiantes afirmam que a instituição está comprometida em fornecer o conhecimento de alto nível para as massas, em oposição à abordagem vulgarizante de conceitos filosóficos através de leitura fácil de livros como filosofia de bem-estar.

Os seminários da universidade acontecem nos seguintes locais: Tocqueville, anfiteatro da Universidade de Caen

Mancel café, Castelo de Caen
Museu de Belas Artes de Caen, Castelo de Caen
Sala no Teatro Panta, Caen



SEMINÁRIOS OFERECIDOS


Arte contemporânea: Jean-Louis Poitevin

Oficina de Filosofia para crianças: Gilles Geneviève

Bioética: Antoine Spire

Filmes: Arno Gaillard

Seminário aberto: Séverine Auffret

Ideias políticas: Gérard Poulouin

Jazz: Nicolas Béniès

Economia: Nicolas Béniès

Literatura contemporânea: Bénédicte Lanot

Filosofia hedonista: Michel Onfray

Psicanálise: Emil Kraepelin

Filosofia da ciência: história da matemática: Jean-Clet Martin

Arquitetura: Jean-Pierre Le Goff

O erotismo feminino literária no século XX: Cynthia Fleury

Leitura e comentários de textos filosóficos clássicos: Paule Orsoni

Um comentário:

  1. Excelente ideia e iniciativa dos franceses, só podia ser mesmo na França, que sempre dá o pontapé inicial em termos de mudanças culturais e transformações sociais. Já estava na hora de acontecer algo realmente inovador e criativo no planeta, já tão cansado da velha ordem autoritária e repressora. Professor Wagner da Silva Barreto. Adepto da Pedagogia Libertária.

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