sábado, 14 de maio de 2016

Lançamento de obra "A Colmeia, uma experiência pedagógica", na 1 Jornada de Educação Libertária de Pelotas




Na abertura da 1 JORNADA DE EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA DE PELOTAS, no dia 17 de maio, teremos o lançamento de uma obra clássica da Educação Libertária, que é "A Colmeia, uma experiência pedagógica", do educador anarquista francês Sébastien Faure. Essa obra teve sua primeira e única edição brasileira em 1919. Essa reedição, feita pela Editora Biblioteca Terra Livre de São Paulo foi fruto de um trabalho coletivo que envolveu a Editora de São Paulo e o professor Paulo Marques, da Faculdade de Educação da UFPel e coordenador do Grupo de Pesquisa Educação Libertária e Anarquista(GPEL&A). De posse do texto de 1919, traduzido por Bernardo Canellas, personagem emblemático da história do anarquismo brasileiro, fez-se uma revisão completa na tradução atualizando-a para as normas atuais da lingua portuguesa. Esta edição traz um conjunto de fotos da Colmeia adquiridas junto à Editora LaMalatesta de Madrid que publicou uma edição nova do livro em 2013. Ainda a edição brasileira traz um texto de apresentação escrito pelos professores Rodrigo Rosa, da Terra Livre e o Professor Paulo Marques da UFPel. 

Abaixo postamos a parte inicial do texto de apresentação que tem o título de "Colméia, a partir de agora, a escola do amanhã"


Em tempos de discursos sobre “educação integral” e da necessidade de novas metodologias pedagógicas baseadas no “aprender a aprender” e na “interdisciplinaridade” é de se espantar como nos meios acadêmicos ocorre uma seletividade, quer seja ela premeditada, quer seja pura falta de rigor científico, sobre quem foram os pioneiros dessas propostas. Nos referimos à ainda persistente omissão da contribuição dos anarquistas no campo da educação.

Mas qual o motivo de não figurarem ainda em destaque nos programas das disciplinas dos cursos de pedagogia?

Podemos imaginar que o pouco acesso aos escritos sobre o tema, em sua maior parte produzidos originalmente em francês e ainda não traduzidos ao português, pode ser um dos motivos que dificultam a sua ampla difusão1. Malgrado essa questão é fato que nomes como Proudhon, Bakunin, Paul Robin, Francisco Ferrer, Sebastién Faure, Élisee Reclus, ou seja, aqueles que foram os pioneiros na elaboração de teorias sistemáticas e críticas à escola – seja ela religiosa, privada ou estatal – e os protagonistas de algumas das mais belas e radicais iniciativas pedagógicas inovadoras, permanecem ainda hoje ilustres desconhecidos para professores e estudantes.

Dentre as fundamentais contribuições dos anarquistas à educação na perspectiva “dos de baixo” estão as primeiras experiências de educação popular, de coeducação entre os sexos e de classes, a centralidade do trabalho e seu caráter essencialmente pedagógico, as saídas de campo, a criação de escolas para crianças, jovens e adultos autônomas em seus aspectos pedagógicos, políticos e econômicos, a produção própria de vasto material didático e de métodos anti-autoritários de ensino, a fundação dos centros de cultura, ateneus e bibliotecas vinculadas aos sindicatos, a concomitância do ensino geral com a educação profissional, etc. A lista de inovações e realizações é grande!

Conscientes da necessidade de suprir essa lacuna, o resgate desse legado tem sido, em grande medida, obra dos próprios anarquistas. É com essa perspectiva que militantes e pesquisadores, individual ou coletivamente, vêm trabalhando constantemente no resgate da memória das práticas libertárias; buscando a reafirmação de suas ricas experimentações em diferentes aspectos da vida e a partir de variadas áreas do conhecimento – geografia, história dos trabalhadores, filosofia política, organização social, crítica ao capitalismo, etc.

No campo da educação vemos um lento e consistente processo de redescoberta dos pensadores e experiências anarquistas sendo alimentado por esparsas mas significativas produções – pesquisas, organização de arquivos, reimpressão de documentos, publicação de antologias, etc – que ampliam as possibilidades de um (re)encontro com as bandeiras históricas da classe trabalhadora e dos explorados pela criação de uma nova educação que atenda a seus interesses e seja, ao mesmo tempo, parte da sua luta pela emancipação social, política e econômica.

É com o objetivo de contribuir com o esforço de resgate desse legado, e ao mesmo tempo possibilitar aos pesquisadores, educadores e interessados no tema o acesso à história da Educação Libertária, que comemoramos a reedição brasileira, quase 100 anos após a original, da obra que descreve uma das mais ricas experiências educativas e comunitárias já realizadas pelos anarquistas: A Colméia. Escrita há mais de um século por seu fundador e “diretor”, Sebastién Faure, um dos mais célebres militantes anarquistas da Europa naquele período.

Com essa nova edição, cuidadosamente editada pela Biblioteca Terra Livre, poderemos finalmente observar se a ausência do pensamento educacional anarquista e suas experiências nos currículos oficiais das universidades tem sua origem no desconhecimento e na ignorância de textos em português ou em algum tipo de silenciamento deliberado e intencional das práticas autônomas e anti-estatais de educação.






LANÇAMENTO DO LIVRO 

Quando : 17/05 - Terça-feira

Horário: 19h 

Onde : Auditório da Faurb . Rua Benjamim Consttantt, 1359, Campus Porto, UFpel



Video sobre a  Colmeia, produzido por Luíza Uehara de Araújo, integrante do Núcleo de Sociabilidade Libertária(Nu-Sol) da PUC-SP.


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