sábado, 28 de maio de 2016

Memória e Registros da 1 Jornada de Educação Libertária de Pelotas: A Educação de Anarquistas. de 17 à 20 de maio de 2016



Realizada nos dias 17, 18, 19 e 20 de Maio, a 1 Jornada de Educação Libertária de Pelotas superou todas as expectativas, seja na quantidade, mais de cem participantes dos mais diversos locais como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e cidades do RS como Santa Maria, Caxias do Sul, Porto Alegre, Rio Grande, Chuí, com expressivo  número de estudantes de Pelotas e região, seja na qualidade dos participantes  e dos trabalhos apresentados, bem como os painelistas convidados e Coletivos autogestionários. 

Tendo como tema "A Educação de anarquistas", a Jornada buscou  reunir pesquisadores, estudantes, professores e interessados no tema para compartilhar seus saberes e conhecimentos sobre a Educação Libertária, ou seja, a educação realizada pelos anarquistas. Para isso a Jornada foi organizada com uma série de atividades como painéis, rodas de conversa, apresentação de trabalhos e oficinas, mesas de debates,  realizadas em diferentes locais, tanto na Universidade como em espaços de Coletivos autogestionários como a OCA, Ocupação Coletiva de ArteirXs, e a OKUPA 171.

A 1 Jornada começou um mês antes, com a elaboração do projeto do site e as peças de divulgação, elaboradas pelo compa Pablo Castro.


http://jeduliber.wix.com/educacaoanarquista


A Jornada ganhou divulgação na cidade com matéria de Carlos Cogoy no Diário da Manhã,  que abordou o tema da Educação Libertária



Matéria completa do jornal :

http://diariodamanhapelotas.com.br/site/educacao-libertaria-aprender-com-a-acao-direta-autogestao-e-apoio-mutuo/#share


Contamos com a parceria da Rádio Sofia que transmitiu ao vivo os painéis e apresentação de trabalhos







Postamos aqui um breve resumo da 1 Jornada de Educação Libertária de Pelotas com fotos da Gabriella Gasperim

Primeiro Dia 17/05- Abertura

Na abertura, realizada no Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo que estava lotada,  tivemos a apresentação da Conferência "Educação Libertária:De Cempuis à Revolução Espanhola de 1936" , realizada por Rodrigo Rosa, professor Doutor em Educação  da Universidade de São Paulo e integrante da Editora Biblioteca Terra Livre de São Paulo. Na ocasião também foi lançado a edição brasileira da obra "A Colmeia: Uma experiência pedagógica" de Sebastién Faure, editada pela Terra Livre.

Rodrigo Rosa inicia a impossível tarefa de resumir em 2 horas, 40 anos de história da Educação Libertária






Parafraseando Emma Goldman que disse "se não posso dançar, não é minha revolução", dizemos "se não podemos rir, não é nossa educação libertária" 


Rodrigo Rosa fala sobre a Educação Libertária na Revolução Espanhola: depois de 30 anos de Educação Libertária nas Escolas Modernas de Ferrer, emergia uma geração de libertárias e libertários que protagonizaram a maior revolução autogestionária da história: A revolução Espanhola de 1936


Banca de Livros da Editora Biblioteca Terra Livre 



Lançamento da nova edição da obra clássica da Educação Libertária de Sebastién Faure, editada pela Terra Livre




Segundo dia: 18/05- Painéis Educação Libertária no Brasil e RS e Pesquisa Autodidata sobre Educaçao Libertária e lançamento de Revista.


No Segundo dia, na Faculdade de Educação da UFPel realizaram-se dois painéis: O primeiro, na parte da manhã,  foi sobre A história da Educação Libertária do Brasil e RS, realizada pelo professor Paulo Marques, coordenador do Grupo de Pesquisa Educação Libertária da UFPel e um dos organizadores da Jornada. No painel foi apresentado um breve resumo dos primeiros resultados da pesquisa que está sendo desenvolvida pelo Grupo, com ênfase na memória e trajetória de educadores anarquistas que atuaram no Estado nas primeiras décadas do século XX, construindo Escolas e realizando atividades de caráter educacional.


Resgatar a "história oculta" da Educação Libertária no Brasil e Rio Grande do Sul, eis o desafio para a Educação Libertária de hoje e amanhã

Na parte da tarde realizou-se o painel sobre Pesquisa Histórica Autodidata sobre anarquismo, com   João Batista Marçal, jornalista, radialista, escritor e pesquisador autodidata, Marçal é autor do único livro existente sobre os anarquistas gaúchos: “Os anarquistas do Rio Grande do Sul (1995)”; além de diversos livros de história do movimento operário: “Primeiras Lutas operárias no Rio Grande do Sul' (1987); “Memória Histórica dos socialistas do Rio Grande do Sul (1987); “A imprensa operária no Rio Grande do Sul (2004)”; “Dicionário Ilustrado da Esquerda Gaúcha. Anarquistas, Comunistas, Socialistas e trabalhistas (2008)”.


Marçal apresenta sua obra inédita e única sobre a História dos anarquistas gaúchos, fruto de sua pesquisa autodidata de mais de 20 anos. 







Na parte da noite, foram lançadas duas revistas: A revista de Educação Libertária PERISCÓPIO e a Revista antimilitarista ROMPENDO FILAS


A Revista de Educação Libertária Periscópio começou a circular na Jornada




https://issuu.com/revistaperiscopio1/docs/revista_perisc__pio_final




http://ramalc.org/revista-rompiendo-filas/


Terceiro dia, 19/05- Apresentação de Trabalhos

A atividade de Apresentação de Trabalhos, fruto de pesquisas e estudos realizados ou em andamento foi de grande riqueza que propiciou a troca de ideias, saberes e conhecimentos entre os participantes. Divididos em 4 eixos os trabalhos foram apresentados na OCA, Ocupação COletiva de ArteirXs, espaço Coletivo de Vivência autogestionária e cultura Libertária durante a manhã e a tarde.

Inicialmente pensado para ser realizado no interior do prédio, o belo sol da manhã convidou a todXs para que as apresentações fossem realizadas no lado de fora.

Destacamos aqui alguns dos trabalhos apresentados :

Eixos : Memória e História da Educação Libertária e Teorias da Educação Libertária, ciência, questões de gênero e movimentos sociais


Anarquismo e Educação em Rio Grande ( 1918-1927): Educação de, para e pelos trabalhadores” (Francisco Vargas, Gabriela Caceres, Rita de Cássia Grecco-RS)

"Anarquismo e ciência nos livros da Escola Moderna de Barcelona" (Rodrigo Rosa, Fac. Educação -USP)

"Práticas de leitura e autodidatismo no anarquismo argentino" (Eduardo Augusto de Souza Cunha-USP/São Paulo)

"A mulher na perspectiva da educação libertária" (Tasciele Feltrin- UFSM, Santa Maria)

"O ensino de ciências na Pedagogia racional Libertária" (Fernanda Monteiro UFSM/Santa Maria)


Rodrigo Rosa e Eduardo, da USP apresentam seus trabalhos sobre Anarquismo e ciência nos livros da Escola Moderna e Práticas de Leitura e autodidatismo no anarquismo argentino, respecttivamente.



Prof. Francisco Vargas apresenta seu trabalho sobre Anarquismo e Educação em Rio Grande(1918-1927)



Na parte da tarde mais um conjunto de trabalhos foram apresentados trabalhos ainda dos eixos história e questões de gênero e teorias e práticas contemporâneas


"As mulheres no jornal anarquista 'Nosso Verbo' de Rio Grande- RS (1919-1921) (Juliana Pino- FURG)

Por uma educação anti-antropoceno: contribuições anarquistas para uma educação sócio-ambiental” (Rodolpho Jordano- RIo de Janeiro)

"Para além do usuário de drogas: a instauração de processos clínicos-educacionais autônomos em saúde" (Leonardo Kozoroski Oliveira- UFSM, Santa Maria)


Juliana Pino apresenta seu trabalho "As mulheres no jornal anarquista 'Nosso Verbo' de Rio Grande- RS (1919-1921) 

Rodolpho Jordano do Rio de Janeiro apresenta seu trabalho “Por uma educação anti-antropoceno: contribuições anarquistas para uma educação sócio-ambiental” 




Na noite fria de quinta (19/05) aquecidos por uma fogueira realizamos a Roda de Conversa  sobre Educação Nômade e Pós escolarização com Guilherme Schoreder , “Gui Sch” ,sociólogo e mestrando em Educação na UFRGS em Filosofia da Diferença.

A noite estava quente ao redor da fogueira para conversar sobre desescolarização e pós escolarização






No último dia, 20/05, realizamos a oficina "Laboratório de Ação Direta, na OCA e a tarde a Mesa de Experiências de Espaços e Coletivos Autônomos de vivências e Educação Libertária onde tivemos a presença dos Coletivos: Biblioteca José Saúl – Okupa 171 ( Pelotas/RS); Ocupação Coletiva de ArteirXs- OCA (Pelotas/RS); Coletivo Editora Biblioteca Terra Livre (São Paulo/SP); Coletivo Editora Deriva (Porto Alegre/RS); Coletivo Luneta ( Sapiranga/RS); Okupa Pandorga e Coletivo Semente (Porto Alegre/RS)



Laboratório de Ação Direta realizado na sexta, dia 20 pela manhã na OCA




Encerramos nossa 1 Jornada de Educação Libertária de Pelotas com uma "Hora Feliz" na Okupa 171, confraternizando com deliciosas bebidas e comidas veganas dXs compas da Okupa.


Parabenizamos a todXs que viabilizaram essa Jornada, a primeira de muitas que queremos contruir.

Saúde e Anarquia para todXs e até a próxima.




Album de Imagens







































sábado, 14 de maio de 2016

Lançamento de obra "A Colmeia, uma experiência pedagógica", na 1 Jornada de Educação Libertária de Pelotas




Na abertura da 1 JORNADA DE EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA DE PELOTAS, no dia 17 de maio, teremos o lançamento de uma obra clássica da Educação Libertária, que é "A Colmeia, uma experiência pedagógica", do educador anarquista francês Sébastien Faure. Essa obra teve sua primeira e única edição brasileira em 1919. Essa reedição, feita pela Editora Biblioteca Terra Livre de São Paulo foi fruto de um trabalho coletivo que envolveu a Editora de São Paulo e o professor Paulo Marques, da Faculdade de Educação da UFPel e coordenador do Grupo de Pesquisa Educação Libertária e Anarquista(GPEL&A). De posse do texto de 1919, traduzido por Bernardo Canellas, personagem emblemático da história do anarquismo brasileiro, fez-se uma revisão completa na tradução atualizando-a para as normas atuais da lingua portuguesa. Esta edição traz um conjunto de fotos da Colmeia adquiridas junto à Editora LaMalatesta de Madrid que publicou uma edição nova do livro em 2013. Ainda a edição brasileira traz um texto de apresentação escrito pelos professores Rodrigo Rosa, da Terra Livre e o Professor Paulo Marques da UFPel. 

Abaixo postamos a parte inicial do texto de apresentação que tem o título de "Colméia, a partir de agora, a escola do amanhã"


Em tempos de discursos sobre “educação integral” e da necessidade de novas metodologias pedagógicas baseadas no “aprender a aprender” e na “interdisciplinaridade” é de se espantar como nos meios acadêmicos ocorre uma seletividade, quer seja ela premeditada, quer seja pura falta de rigor científico, sobre quem foram os pioneiros dessas propostas. Nos referimos à ainda persistente omissão da contribuição dos anarquistas no campo da educação.

Mas qual o motivo de não figurarem ainda em destaque nos programas das disciplinas dos cursos de pedagogia?

Podemos imaginar que o pouco acesso aos escritos sobre o tema, em sua maior parte produzidos originalmente em francês e ainda não traduzidos ao português, pode ser um dos motivos que dificultam a sua ampla difusão1. Malgrado essa questão é fato que nomes como Proudhon, Bakunin, Paul Robin, Francisco Ferrer, Sebastién Faure, Élisee Reclus, ou seja, aqueles que foram os pioneiros na elaboração de teorias sistemáticas e críticas à escola – seja ela religiosa, privada ou estatal – e os protagonistas de algumas das mais belas e radicais iniciativas pedagógicas inovadoras, permanecem ainda hoje ilustres desconhecidos para professores e estudantes.

Dentre as fundamentais contribuições dos anarquistas à educação na perspectiva “dos de baixo” estão as primeiras experiências de educação popular, de coeducação entre os sexos e de classes, a centralidade do trabalho e seu caráter essencialmente pedagógico, as saídas de campo, a criação de escolas para crianças, jovens e adultos autônomas em seus aspectos pedagógicos, políticos e econômicos, a produção própria de vasto material didático e de métodos anti-autoritários de ensino, a fundação dos centros de cultura, ateneus e bibliotecas vinculadas aos sindicatos, a concomitância do ensino geral com a educação profissional, etc. A lista de inovações e realizações é grande!

Conscientes da necessidade de suprir essa lacuna, o resgate desse legado tem sido, em grande medida, obra dos próprios anarquistas. É com essa perspectiva que militantes e pesquisadores, individual ou coletivamente, vêm trabalhando constantemente no resgate da memória das práticas libertárias; buscando a reafirmação de suas ricas experimentações em diferentes aspectos da vida e a partir de variadas áreas do conhecimento – geografia, história dos trabalhadores, filosofia política, organização social, crítica ao capitalismo, etc.

No campo da educação vemos um lento e consistente processo de redescoberta dos pensadores e experiências anarquistas sendo alimentado por esparsas mas significativas produções – pesquisas, organização de arquivos, reimpressão de documentos, publicação de antologias, etc – que ampliam as possibilidades de um (re)encontro com as bandeiras históricas da classe trabalhadora e dos explorados pela criação de uma nova educação que atenda a seus interesses e seja, ao mesmo tempo, parte da sua luta pela emancipação social, política e econômica.

É com o objetivo de contribuir com o esforço de resgate desse legado, e ao mesmo tempo possibilitar aos pesquisadores, educadores e interessados no tema o acesso à história da Educação Libertária, que comemoramos a reedição brasileira, quase 100 anos após a original, da obra que descreve uma das mais ricas experiências educativas e comunitárias já realizadas pelos anarquistas: A Colméia. Escrita há mais de um século por seu fundador e “diretor”, Sebastién Faure, um dos mais célebres militantes anarquistas da Europa naquele período.

Com essa nova edição, cuidadosamente editada pela Biblioteca Terra Livre, poderemos finalmente observar se a ausência do pensamento educacional anarquista e suas experiências nos currículos oficiais das universidades tem sua origem no desconhecimento e na ignorância de textos em português ou em algum tipo de silenciamento deliberado e intencional das práticas autônomas e anti-estatais de educação.






LANÇAMENTO DO LIVRO 

Quando : 17/05 - Terça-feira

Horário: 19h 

Onde : Auditório da Faurb . Rua Benjamim Consttantt, 1359, Campus Porto, UFpel



Video sobre a  Colmeia, produzido por Luíza Uehara de Araújo, integrante do Núcleo de Sociabilidade Libertária(Nu-Sol) da PUC-SP.


Lançada a II JORNADA DE EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA de PELOTAS

II JORNADA DE EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA de PELOTAS  9, 10 E 11 de Outubro de 2017 Local : OCA : Ocupação Coletiva de ArteirXs Na ...