quinta-feira, 24 de setembro de 2015

SEMINÁRIO Educação para Espíritos-Livres: transversalidade com filosofia e arte




O filósofo Karl Jasper disse que depois de Nietzsche a filosofia se caracterizaria por um profundo desengano em relação à racionalidade, pela dissolução de todos os elos e pela queda de todas as autoridades. Para o marxista Lukács, o filósofo de Hocken foi o "destruidor da razão". Já Max Weber disse: "O mundo onde nós existimos em termos de pensamento é um mundo cunhado pelas figuras de Marx e Nietzsche". Foucault o via como a opção não dialética da filosofia.

O fato é que Nietzsche permance um incômodo para 'cabeças feitas", para "militantes de causas" para queles que "têm certezas". O "filósofo do martelo", Iconoclasta extemporâneo, Nietzsche talvez seja a expressão mais profunda de uma interpretação libertária da vida e do ser humano, como devires, como experimentação e criação livre.  Nietzsche, o libertário que batia forte nas idealidades, nos "ismos", nas "crenças" nas "estruturas religiosas do pensamento" que foi do cristianismo(platonismo para o povo) até as ideologias modernas como o liberalismo, socialismo, comunismo, anarquismo. O martelo de Nietzsche não poupou ninguém...servia para destruir e criar...  Destruir as velhas "tábuas de valores' e criar novas,  principalmente como obra de arte.

Nietzsche o mais anárquico dos não-anarquistas, o mais libertário dos não-libertários. O que o "filósofo da suspeita" pode contribuir com nossas reflexões e práticas da educação atual? Qual sua contribuição para pensar as possibilidades de uma Educação Libertária para o século XXI?

 Muitos escritos e seminários já foram realizados sobre essa temática do "Nietzsche como educador";  "Nietzsche e a educação". Desta vez propomos uma reflexão que inclua a relação da educação com o que Nietzsche chamou de "espíritos-livres", que seria, uma de suas  apostas, a  sua hipótese possível para um "além do homem" e que necessitaria de uma educação voltada para a "tarefa" da transvaloração de todos os valores.

Essa é a ideia do Seminário  "Educação para os espíritos livres : Transversalidade com filosofia e arte. Isto porque, para o filósofo,  Espíritos-livres não existem, mas sua possibilidade, se algum dia existir, será na figura de um artista, será um artista por excelência. 

Artistagem será, portanto,  a metodologia;  interpretação e criação serão as formas propostas para esse encontro. 

Venha se divertir, fazer a "ciência alegre" que Nietzsche propôs para educar  os possíveis Espíritos-Livres...



ATENÇÃO: Matrículas dias 23 e 24 de outubro no PPGE - FAE - UFPel

PROGRAMAÇÃO: 


Programação Seminário “Educação para Espíritos Livres”
Professores: Dra. Carla Gonçalves Rodrigues; Dr. Édio Raniere; Dr. Paulo Marques.

(19/10) Segunda-feira

9h- Manhã
Apresentações:
  1. Professores
  2. Estudantes
  3. Seminário
  4. Plano de Trabalho e Cronograma.

13h30min Tarde ( Artistagem: Prof. Édio Raniere)


Conhecimento em Nietzsche: vontade de verdade, arte e razão


Textos de Apoio: 

1. NIETZSCHE, F. Sobre Verdade e Mentira no Sentido Extra Moral. Obras incompletas. Trad. Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Nova Cultural, 1999.

2. MACHADO, R. Nietzsche e a Verdade. São Paulo. Paz e Terra, 1999.


(20/10) Terça-feira : ( artistagem: Prof. Paulo Marques)


Manhã
A crítica da educação alemã como parte da crítica à cultura moderna: Stirner e Nietzsche
O Estado como fim, a cultura e a educação como meios

Textos de apoio:

3. GALLO, S. Crítica da cultura, educação e superação de si: entre Nietzsche e Stirner. FEITOSA, C. Et all.(Orgs.) Nietzsche e os gregos, arte memória e educação. Assim falou Nietzsche V. Rio de Janeiro, DP&A, 2006. p. 329-344.

4. NIETZSCHE, F. Sobre o futuro dos nossos estabelecimentos de ensino. SOBRINHO, N. (Org.) Escritos Sobre Educação. Friedrich Nietzsche, São Paulo, Loyola, 2012. p. 49-160

5. STIRNER, M. O falso princípio da nossa educação. São Paulo, Imaginário, 2001. p. 61-87.

 Tarde

A crítica extemporânea à educação e a cultura moderna
O filósofo contra o Estado

Textos de apoio:

6. NIETZSCHE, F. III Consideração Intempestiva: Schopenhauer educador. SOBRINHO, N. (Org.) Escritos Sobre Educação. Friedrich Nietzsche. São Paulo: Loyola, 2012. p. 161-259

(21/10)Quarta ( Artistagem: Prof. Paulo Marques) 

 Manhã
Nietzsche o Educador Nômade
Os Espíritos Livres e o movimento de reforma da vida
Escola dos Educadores: O mosteiro dos Espíritos Livres

Textos de apoio:

7. BRUM, José Thomaz. O demasiado humano conhecimento. In Revista Educação- Especial Biblioteca do Professor, p. 36- 45

8. NIETZSCHE, F. Humano, demasiado humano. Cap. V: Sinais de cultura superior e inferior. SP: Companhia das Letras, 2005. p142-180.

Tarde
A Educação (Im) possível de Nietzsche
Experimentação e autoexperimentação
A aposta de Nietzsche: Zaratustra Educador

Textos de apoio:

9. ROCHA, Silvia Pimenta Tornar-se quem se é: a educação como formação, educação como transformação. FEITOSA, C. Et all.(Orgs.) Nietzsche e os gregos, arte memória e educação. Assim falou Niettzsche V. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. p. 267-288.

10. NIETZSCHE, F. Das tábuas velhas e novas In Assim falou zaratustra. 189-208. Porto Alegre: LP&M, 2014. p. 189-208.

(22/10) Quinta ( Artistagem Prof. Carla Rodrigues) 
 Manhã

Artistagem radiofônica 

11. Abecedário de Gilles Deeluze: M - doença

Tarde


Educação aqui e agora
Didática da tradução, transcriações do currículo
O agenciamento e as caóides de Gilles Deleuze

Textos de apoio:

12.Corazza, S. M.; Heuser, E. M. D.; Monteiro, S. B., Rodrigues, C. G. Escrileituras da diferença: didática da tradução, transcriações do currículo. Anais XI Colóquio Luso-brasileiro sobre Questões Curriculares. Braga, 2014.

13.DELEUZE, Gilles. Foucault. (p. 34-53) Tradução de José Carlos Rodrigues. Lisboa: Vega, 1998.

14. DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix.. O que é a filosofia?. (p. 211-257). Tradução de Bento Prado Jr.; Alberto Alonso Muñoz. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1996. (TRANS.)


(23/10) Sexta ( Artistagem: Prof. Édio Raniere) 

Manhã
Artistagem cênica

Nietzsche Theatrum: do conceito a cena


Obs: vir com roupa confortável para realização de exercícios físicos e trazer uma garrafinha de água.

 Tarde
Artistagem cênica

Nietzsche Theatrum: do conceito a cena


Obs: vir com roupa confortável para realização de exercícios físicos e trazer uma garrafinha de água.




Não existem "espíritos-livres", nunca existiram - mas, como disse, eu precisava de sua companhia na época, para me animar em meio às coisas ruins(doenças, isolamento, sentir-se estrangeiro, preguiça, inatividade); como bravos sujeitos e fantasmas com os quais conversar e rir, e que mandamos para o inferno quando se tornam chatos - como reparação pela falta de amigos. Que possa um dia haver esses espíritos livres, que nossa Europa venha a ter esses camaradas ousados e cheios de vida entre seus filhos de amanhã e depois de amanhã, reais e palpáveis e não apenas fantasmas e jogos de sombras de um ermitão, como no meu caso: serei o último a querer duvidar disso. Já os vejo se aproximando, lentamente, lentamente; e não estaria fazendo algo para apressar sua chegada quando descrevo antes mesmo de acontecerem as fatais condições que vejo dando origem a eles, os caminhos pelos quais os vejo chegando? (F. Nietzsche - Humano, demasiado humano, 1878)



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