sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Edgar Rodrigues o grande pesquisador do anarquismo Brasileiro




Edgar Rodrigues, pseudônimo pelo qual ficou conhecido Antônio Francisco Correia nasceu em em Angeiras, ao norte da cidade de Matosinhos , distrito do Porto (Portugal), em 12 de março de 1921. Foi historiador, arquivista e escritor


Seu pai um era militante anarcosindicalista e participava do "Sindicato das Quatro Artes", filiado à Confederação Geral do trabalho (C.G.T.) e à Associação Internacional dos Trabalhadores(A.I.T.), envolvendo vários ofícios da construção civil de Matosinhos. Seus primos, Armindo da Silva Sarilho e Manuel Sarilho, também pertenciam ao Sindicato.

No final de 1933, esse sindicato foi obrigado a fechar sua sede oficial por causa da repressão da ditadura de Salazar. Parte do seu acervo cultural foi guardado na casa da família de Edgar, onde também se passaram a realizar reuniões noturnas de sua diretoria clandestinamente.

Em 1936, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (P.V.D.E., depois P.I.D.E.), invadiu de madrugada a moradia dos pais de Edgar, prendendo seu pai. Edgar Rodrigues foi várias vezes visitá-lo nos calabouços da polícia política, durante as dez semanas em que esteve preso sem processo ou julgamento.

Quando seu pai foi solto ainda foi punido mais uma vez ao ser despedido do seu emprego, o que fez a família passar por uma situação econômica muito difícil. Dois anos depois, Correia (como era chamado pelos mais próximos) escreveu o seu primeiro artigo para o diário "Primeiro de Janeiro" (editado na cidade do Porto), que seria recusado por causa da censura. 

Em 1951, fugindo da ditadura Edgar vem para o Brasil onde manterá sua militância e trabalho de pesquisador da memória do movimento anarquista. Foi um dos principais responsáveis pelas pesquisas, preservação da documentação referente aos libertários e publicação de diversos livros.


Tornou-se depositário do arquivo histórico do historiador e arquivista ucraniano Elias Iitchenco após sua morte em 1982. Colaborou para o jorna Fenikso Nigra publicado em esperanto na cidade de Campinas para a revista Letra Livre editada no Rio de Janeiro.

Foi também colaborador em diversos verbetes relacionados ao anarquismo em Enciclopédias e livros - Biblioteca Sorocabana, volume I, História e Memórias da Crearte Editora, 2005 e Enciclopédia Sorocabana. Também foi responsável pelo prefácio da edição fac-similar do Jornal "O Operário", de Sorocaba, publicada em março de 2007.


A pedido de Ideal Peres e Afonso Vieira redigiu um texto sobre a ditadura em Portugal, que foi publicado no jornal anarquista Ação Direta e logo estava participando do grupo editor do mesmo. Em seguida, com a ajuda de companheiros como Enio CardosoDomingos Rojas e Benjamim Cano Ruiz (entre outros), passou a publicar também textos na imprensa libertária internacional e adotou o pseudônimo de Edgar Rodrigues.

Entre os dias 9 e 11 de fevereiro de 1953, participou de um encontro anarquista brasileiro, na residência de José Oiticica, onde conheceu outros militantes ácratas que atuavam em São Paulo: Edgard LeuenrothAdelino Tavares de PinhoLucca GabrielOsvaldo Salgueiro e outros.

Em 7 de março de 1958, por iniciativa do Grupo Libertário Fábio Luz , foi fundado o Centro de Estudos Professor José Oiticica, em homenagem ao recém-falecido José Oiticica, com o propósito de continuar a prolífera obra do valoroso companheiro.


Entre as atividades do C.E.P.J.O., constavam conferências, cursos e leituras comentadas sobre,arte,política,história,vegetarianismo,psicologia,teatro,cinema,literatura,geografia,sociologia e anarquismo. Os convites para as atividades eram feitos na imprensa diária.

O Centro também promoveu, em conjunto com outros grupos, comícios do movimento estudantil e uma campanha pela libertação e asilo político do espanhol anarquista José Comin Pardillos. Outra iniciativa do C.E.P.J.O. foi a criação da Editora Mundo Livre que publicou os seguintes livros anarquistas: "O Retrato da Ditadura Portuguesa" de Edgar Rodrigues de 1962, "A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos" de José Oiticica (em sua 2ª Edição) em 1963, "Anarquismo – Roteiro de Libertação Social" deEdgard Leuenroth em 1963, "O Humanismo Libertário e a Ciência Moderna" de Piotr Kropotkin em 1964 e "Erros e Contradições do Marxismo" de Varlan Tcherkesoff em 1964.

O Centro de Estudos Professor José Oiticica teve uma atuação anarquista durante doze anos (cinco deles sob a repressão da ditadura militar brasileira, 1964-1985), até ser invadido, assaltado e fechado pelas forças armadas.

Edgar Rodrigues iniciou, numa atitude pioneira, a publicação de livros resgatando a história do movimento anarquista no Brasil, e posteriormente, a história do movimento libertário português.  Escreveu 62 livros (entre 1957-2007), publicados sobretudo no Brasil e em Portugal, mas também na Itália , Venezuela e Inglaterra  (alguns na terceira edição). Por volta de 1976, participou junto com a companheira Elvira Boni
, do documentário "O Sonho Não Acabou" de Cláudio Khans, exibido algumas vezes na televisão e em eventos libertários.





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Edgar colaborou com o jornal anarquista O Inimigo do Rei enquanto ele existiu entre os anos de 1977 e 1988, e também escreveu mais de 1760 artigos na imprensa de 15 países, entre eles para os periódicos Voluntad (Uruguai), Solidaridad Obrera (França), A Batalha (Portugal), El Libertario (Cuba), Tierra y Libertad (México/Espanha), El Sol (Costa Rica), C.N.T. (França), La Protesta (Argentina), Solidaridad Gastronómica (Cuba), L’Adunata Dei Refrattari (Estados Unidos), Ruta (Venezuela), Reconstruir (Argentina), Voz Anarquista (Portugal), El Libertario (Venezuela) e muitos outros.








Em abril de 2002, Rute Coelho Zendron fez "Um Estudo Sobre Edgar Rodrigues" que virou um interessante vídeo documentário sobre a vida e obra de Edgar Rodrigues. Em novembro de 2008, o embaixador português no Brasil, Seixas da Costa, prestou-lhe uma homenagem do Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro. Edgar Rodrigues faleceu na noite de 14 de maio de 2009, em sua residência, no bairro do Méier, na cidade do Rio de Janeiro, devido uma parada respiratória. Deixando esposa, filhos, netos e uma vasta obra anarquista para ser estudada.





Obras: 



Na Inquisição de Salazar (1957)


  • A Fome em Portugal (1958)
  • O Retrato da Ditadura Portuguesa (1962)
  • Portugal Hoy (Venezuela) (1963)
  • Socialismo: Síntese das Origens e Doutrinas (1969)
  • Socialismo e Sindicalismo no Brasil ( Movimento Operário 1675/1913) (1969)
  • Nacionalismo e Cultura Social (1913-1922) (1972)
  • Violência, Autoridade e Humanismo (1974)
  • Conceito de Sociedade Global (1974)
  • ABC do Anarquismo (Lisboa-Portugal) (1976)
  • Breve História do Pensamento e da Lutas Sociais (Lisboa-Portugal) (1977)
  • Trabalho e Conflito (Greves Operárias 1900-1935) (1977)
  • Novos Rumos (1978)
  • Deus Vermelho (Porto-Portugal) (1978)
  • Alvorada Operária ( Os Congressos 1887-1920) (1980)
  • Socialismo: Uma Visão Alfabética (1980)
  • O Despertar Operário em Portugal (1834-1911) (Lisboa-Portugal) (1980)
  • Os Anarquistas e os Sindicatos em Portugal (1911-1922) (Lisboa-Portugal) (1981)
  • A Resistência Anarco-Sindicalista em Portugal (1922-1939) (1981)
  • A Oposição Libertária à Ditadura (1939-1974) (Lisboa-Portugal) (1982)
  • Os Anarquistas - Trabalhadores Italianos no Brasil (1984)
  • Os Trabalhadores Italianos no Brasil (Itália) (1985)
  • ABC do Sindicalismo Revolucionário (1987)
  • Os Libertários: Idéias e Experiências Anárquicas (1988)
  • Quem Tem Medo do Anarquismo? (1992)
  • O Anarquismo na Escola, no Teatro, na Poesia (1992)
  • A Nova Auroa Libertária(1946-1948) (1992)
  • Entre Ditaduras (1948-1962) (1993)
  • O Ressurgir do Anarquismo (1962-1980) (1993)
  • Os Libertários (1993)
  • O Homem em Busca da Terra Livre (1993)
  • O Anarquismo no Banco dos Réus (1969-1972) (1993)
  • Os Companheiros - 5 volumes-de A a Z (1994)
  • Diga Não à Violência! (1995)
  • Sem Fronteiras (1995)
  • Pequena História da Imprensa Social no Brasil (1997)
  • Os Companheiros (1998)
  • Notas e Comentários Histórico-Sociais (1998)
  • Pequeno Dicionário de idéias libertárias (1999)
  • Universo Ácrata - Volume 1 e Volume 2(1999)
  • Biblioteca Sorocabana (vol. 1 - História e Memória)- participação (2005)
  • Rebeldias (quatro volumes, 2005 - 2007)
  • Um século de História político-social em Documentos (Vol.1 e 2 - 2006 e 2007).
  • Lembranças Incompletas (2007)
  • Mulheres e Anarquia (2007)




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