terça-feira, 9 de setembro de 2014

Biblioteca Terra Livre lança a primeira edição brasileira da obra "Escola Moderna" de Francisco Ferrer y Guardia




Neste mês a Biblioteca Terra Livre (http://bibliotecaterralivre.noblogs.org) presenteou todXs os educadores com lançamento, de forma inédita,  da edição em português da obra "A Escola Moderna" do Educador catalão Francisco Ferrer y Guardia(1859-1909)  É um trabalho também histórico pois o livro, escrito em 1909,  ainda não havia sido editado no Brasil. Conforme destaca Silvio Gallo no belo prefácio a primeira edição brasileira o livro,  escrito quando Ferrer estava preso,  nasce quando ele  "decidiu narrar a experiência com a criação e condução da Escuela Moderna de Barcelona entre 1901 e 1906, assim como suas reflexões sobre uma educação antiautoritária, orientada para o desenvolvimento das potencialidades de cada ser humano".


Capa da primeira edição em espanhol do livro de Francisco Ferrer



O projeto da Escuela Nova, malgrado tenha existido por poucos seis anos, deixou um enorme legado que se espalhou por diversos países, inclusive o Brasil, como uma das mais significativas experimentações de educação libertária. Esse avanço do projeto se deu pelo enorme esforço de divulgação do próprio Francisco Ferrer que ainda criou uma Editora "LA Editorial" para publicar livros a serem usados nas escolas e editou um Boletim para divulgar as atividades da escola e suas propostas pedagógicas.





Boletim da Escola Moderna de São Paulo dirigida por João Penteado. 



Silvio Gallo no prefácio citado,  destaca as características da Escuela Nova de Francisco Ferrer:

"A escola criada por Ferrer foi o exato contraponto da escola em que ele estudou e que abominava: uma escola centrada nos dogmas religiosos, com os alunos fechados entre quatro paredes, em condições insalubres e sem higiene, organizada segundo um sistema meritocrático, que premiava os acertos e castigava os erros e falhas. A Escuela Moderna era um local amplo e arejado, com salas bonitas e bem decoradas, espaços múltiplos e pátios externos para atividades ao ar livre. Além disso eram frequentes as atividades fora da escola: visitas a fábricas, passeios pela praia para estudar a geografia local e assim por diante".

A Ideia da Escola Moderna ganhou adeptos em diversos países , sendo criada por militantes anarquistas, principalmente após o assassinato de Francisco Ferrer, acusado e condenado a morte pelo governo Espanhol que o acusou de ser o mentor da "Semana Trágica" , levante popular contra o envio de tropas espanholas para lutar no Marrocos.

No Brasil tivemos a criação de Escolas Modernas no modelo de Ferrer no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Criadas por militantes anarquistas nas décadas entre as décadas de 10 e 20 do século passado, eram as únicas possibilidades de educação que a classe  trabalhadora tinha naquele período,onde as escolas existentes eram privilégios da classe dominante.


Foto de 1917 dos  alunos da Escola Moderna número 1 de Porto Alegre



Em Porto Alegre, conforme estudos de Silvia Petersen no seu "Antologia do Movimento Operário Gaúcho-1870-1937" e Edgar Rodrigues no seu "Alvorada Operária" , foi a partir da iniciativa de  um grupo de  libertários militantes da FORGS(Federação Operária do Rio Grande do Sul) que que foi criada a primeira Escola Moderna em 1914 no Bairro Navegantes. A Escola contava com 96 alunos menores e 25 adultos e tinha como diretor  J. Ervard. Uma ano depois mais uma escola seria criada com o nome de  Instituto de Educação e Ensino Racionalista, que seria conhecida como a Escola Moderna número 1, localizada na  Rua Ramiro Barcelos, 197 no Bairro Bom Fim que na época era conhecido como uma colônia africana em Porto Alegre, habitada por negros e judeus pobres, operários das mais diversas profissões. A Escola chegou a ter quatrocentos estudantes. A partir dessa iniciativa foi constituída a  Sociedade Pró-Ensino Racionalista fundado em 2 de abril de 1916.

O fim das escolas modernas do Brasil não foi diferente do que ocorreu na Espanha, foram perseguidas e fechadas pelo governo pois a educação racional, integral, libertadora dos preconceitos religiosos e estatais era um perigo para o sistema e a ideologia dominante.

Estas ricas experiências brasileiras podem ser conhecidas apenas  através de  estudos acadêmicos, pois são poucas as obras editadas em português sobre essas ricas experiências educacionais que marcaram o período de nascimento da organização política da classe trabalhadora no Brasil. Dessa forma podemos dimensionar a enorme  importância dessa edição brasileira da obra de Ferrer y Guardia para  futuras e necessárias pesquisas  sobre a educação libertária no Brasil.

Ao saudar essa grande iniciativa, fizemos nossa a afirmação da  Biblioteca Terra Livre na  apresentação do livro : " O projeto da Escola Moderna é, para nós, uma espécie de lanterna que ilumina, com sua incandescência rebelde, as trevas em que vivemos atualmente. 




Manifestação na França após o assassinato do Educar Francisco Ferrer em outubro de 1909. Na faixa da foto está escrito: " Francisco Ferrer, vitima da intolerância é um símbolo para os livre-penadores" 


Que este seja apenas o primeiro de muitos outros lançamentos que possibilitem o acesso de nossos educadores às revolucionárias ideias e experiências dos libertários para a educação.


Documentário do Coletivo Cinestesia sobre os projetos educacionais dos operários anarquistas de São Paulo no início do século XX, como alternativa à educação oferecida pelo Estado e pela Igreja.






Abaixo postamos o Documentário "Viva la Escuela Moderna" , realizado pela TVE espanhola sobre aa história de Francisco Ferrer y Guardia e seu projeto educacional libertário.


LIVROS DO GRUPO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA e BIBLIOTECA TERRA LIVRE

O Grupo de Estudos Educação Libertária da UFPel disponibiliza para os interessados no tema um conjunto de livros e cartilhas recém l...