terça-feira, 4 de março de 2014

Maria Lacerda de Moura, Educadora libertária e precursora do feminismo, por Paulo L. Marques




"Sou 'indesejável', estou com os individualistas livres, os que sonham mais alto, uma sociedade onde haja pão para todas as bocas, onde se aproveitem todas as energias humanas, onde se possa cantar um hino à alegria de viver na expanção de todas as forças interiores, num sentido mais alto-para uma limitação cada vez mais ampla da sociedade sobre o indivíduo" Maria Lacerda de Moura.


Maria Lacerda de Mourafoi uma educadora anarquista brasileira que se notabilizou por seus escritos feministas, foi militante, jornalista, conferencista e pensadora. Mineira, nascida em 1887, se casou aos 17 anos, mas aos 27 anos começa a recusar a identidade doméstica e estudar diversos assuntos, até se encontrar em uma posição de feminista radical. Formou-se na Escola Normal de Barbacena e trabalhou como educadora, adotando a Pedagogia libertária de Francisco Ferrer i Guardia e lecionando nas Escolas Modernas.

Em 1919, junto com Bertha Lutz fundou a Liga pela Emancipação Feminina. A sua participação na Liga esteve direcionada para defesa da educação das mulheres como forma de emancipação, uma das formas visualizadas por ela de emancipar a mulher era a proposta da inserção da matéria " A História da Mulher", nos currículos escolares. Ao perceber que a luta pela emancipação feminina defendida pela Liga era considerada burguesa demais para ela, se afasta, passando inclusive a negar o feminismo por não conseguir se identificar com os movimentos feministas da época.

Após mudar-se para São Paulo em 1921, começa a participar de projetos educacionais anarquistas ao abandonar o magistério público. Continua sendo educadora dentro da imprensa operária, publicando artigos nos jornais como A Plebe e O Combate.

Maria Lacerda defendia em seus artigos não só mudanças no currículo das escolas, a educação em si e os direitos das mulheres, mas também o amor livre, era a favor de uma educação sexual, o combate ao fascismo e ao militarismo e anticlerical. Enquanto o feminismo no Brasil tratava apenas do sufrágio feminino e coisas a fim, ela ousava criticar a repressão sexual feminina, a ser a favor do divórcio e do amor livre, lutava contra a exploração do capitalismo sobre as operárias, entre outras lutas. Por isso Maria Lacerda é considerada uma das pioneiras do anarco-feminismo no Brasil.




Em 1923 ela se torna editora da revista "Renascença", uma publicação cultural divulgada pelo movimento anarquista. Ela colaborou também com a imprensa internacional, tendo publicações divulgadas tanto na América Latina, quanto na França e em Portugal. Entre 1928 e 1937, viveu numa comunidade agrícola autogestionária em Guararema, interior de São Paulo, formada principalmente por imigrantes anarquistas espanhóis, franceses e italianos, desertores da Primeira Guerra Mundial, que buscavam construir uma sociedade "livre de escolas, livre de igrejas, livre de dogmas, livre de academias, livre de muletas, livre de prejuízos governamentais, religiosos e sociais".

A repressão política durante o governo de Getúlio Vargas forçou a comunidade a se desfazer, levando-a fugir para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na Rádio Mayrink Veiga lendo horóscopos. Fez parte da maçonaria e da Rosa Cruz, mas se distanciou desta publicamente, após saber que sua sede em Berlim havia sido cedida aos nazistas, e desautorizou seu filho adotivo a reconhecê-la, após este ter se associado aos integralistas.

Maria Lacerda Moura, considerada uma das pioneiras do feminismo e da educação libertária no Brasil é pouco conhecida, seja nos movimentos feministas atuais, seja na academia. Foi uma das ativistas mais envolvidas com o movimento anarquista brasileiro. Antes mesmo de assumir seus ideais feministas, quando ainda morava em Barbacena, foi uma liderança popular e comunitária, incentivou a construção de casas populares para a população carente e ajudou a fundar a Liga contra o analfabetismo.

Sua última conferência (O Silêncio) foi realizada no Centro Rosa Cruz, ao qual voltou a se ligar ao final de sua vida. Maria Lacerda faleceu no Rio de Janeiro em 20 de março de 1945. 

Como grande parte da contribuição teórica e prática dos libertários e libertárias brasileiros, a história da educadora Maria Lacerda é pouco conhecida nos meios acadêmicos. Uma importante obra que veio suprir essa lacuna foi o livro lançado em 2005, "Maria de Lacerda Moura: uma feminista utópica, de Miriam Lifchitz Moreira Leite.








Trecho do Livro:
A pré-história da evolução humana prova que homens e mulheres, entre os trogloditas, eram livres e fortes e cada qual lutava pela vida com as próprias armas.


No dia em que descobriram o fogo - daí data a escravidão feminina: a mulher ficou a guardá-lo, e ali está ela até hoje, há milênios, a pôr a lenha no fogo sagrado do lar...

Eu, de há muito, me alistei no exército da Paz, e defendi, pela razão e pelo coração, a Liberdade - contra a Autoridade. Sou contra a Violência. Mas não admito nenhuma Ditadura. Não uso armas. E sou livre, porque a minha consciência é livre. Nunca matarei. Prefiro morrer a matar.

Estou ao lado dos oprimidos. Os outros estão se aprestando para defender a Igreja, o Capital e o Estado despótico, a violência e o terror. Armas desiguais..Lutas desiguais.



Postamos abaixo um artigo de Maria Lacerda Moura que é uma crítica ao feminismo burguês, que ela também identificava como "feminismo de caridade". O texto mostra a atualidade de questões fundamentais que permanecem na pauta da luta feminista a partir de uma perspectiva libertária. O artigo foi, publicado na Revista  Utopia, de Portugal,  número 9 .





Feminismo? Caridade?

A palavra "feminismo", de significação elástica, deturpada, corrompida, mal interpretada, já não diz nada das reivindicações feministas. Resvalou para o ridículo, numa concepção vaga, adaptada incondicionalmente a tudo quanto se refere à mulher.Em qualquer gazela, a cada passo, vemos a expressão "vitórias do feminismo" – referente, às vezes, a uma simples questão de modas! Ocupar uma posição de destaque em qualquer repartição pública, cortar os cabelos "à la garçonne", viajar só, estudar em academias, publicar um livro de versos, ser "diseuse", divorciar-se três ou quatro vezes, pelas colunas do "Para Todos", atravessar a nado o Canal da Mancha, ser campeã de qualquer esporte. – tudo isso consiste "nas vitórias do feminismo", vitórias que nada significam perante o problema da emancipação integral da mulher.


A verdadeira emancipação é posta de lado

É uma tática bem manejada. Enquanto as mulheres se contentam com essas "vitórias", a sua emancipação é posta de lado ou nem chega a ser descoberta pelos tais reivindicadores de direitos adquiridos... E essas reivindicações não se podem limitar a ação caridosa ou a um simples direito de voto que não vem, de modo algum, solucionar a questão da felicidade humana e se restringirá a um número limitadíssimo de mulheres. Aliás, quando os homens sérios retiram-se, num ostracismo voluntário, dessa política de latrocínios oficializados, desse bacanal parasitário, desse despudor em se tratando dos negócios públicos; quando se decreta, positivamente a falência, o descrédito do parlamentarismo em toda uma sociedade em plena decomposição, – é agora que a mulher acorda e sai correndo atrás do voto, coisa que deveria ser reivindicado a cem ou duzentos anos atrás... o supõe, ingenuamente, estar cuidando dos interesses femininos ou dos interesses sociais.

A solução para os problemas humanos não é a caridade

E quando chegamos à conclusão de que a caridade humilha, deprecia, desviriliza; desfibra a quem dá e a quem recebe; quando sentimos que a solução para os problemas humanos não é a caridade que sufoca todas as fibras interiores de que tira, às faces escancaradas da miséria, as sobras, o supérfluo; a caridade que estrangula todas as energias latentes daquele que estende as mãos para receber, servilmente, o que sobra das orgias e da exploração dos que vivem à custa do trabalho alheio; quando por si mesma, a moral de que se alimenta a sociedade vigente decreta a falência, essa moral odiosa, de classes de ricos piedosos e de pobres a receberem esmolas, de exploradores caridosos e explorados calculadamente vigiados pela força armada, mantenedora da passividade exterior e da revolta latente dos ilótas modernos; essa moral farisaica que, para os ricos aconselha a caridade, a distribuição ostentosa do supérfluo adquirido à custa do suor proletário, e para os pobres recomenda a resignação passiva, o receber humildemente as sobras que espirram, por acaso, das mesas dos ricos e olhar ainda agradecidos, para essas mãos orgulhosas que se divertem nas caridades exibicionistas dos salões elegantes, tirando partido das misérias sociais para o seu prazer; quando novas fórmulas de uma moral mais pura se nos apresentam para outra organização social de mais eqüidade, – ainda a mulher está convencida de que a sua mais alta missão na vida é a caridade e só conhece a questão social através da caridade, mas, dessa caridade de chás, tangos e requebros nos salões...

Gastam somas fabulosas com a construção de igrejas e exploram torpemente os criados

Essa mesma mulher que reparte altas somas para a construção de igrejas ou "creches" religiosas, explora, torpemente, os criados, a cozinheira, a lavadeira, a costureirinha contratada para trabalhar em sua casa, horas e horas, sob o olhar impertinente da mundana ociosa, da criatura virtuosíssima que, pelas colunas da imprensa, espalma as mãos dadivosas consolando os infelizes, os mal instalados na vida... Dá por um chapéu, por uma pluma, um brinco, um vestido de baile, um leque, uma sombrinha, uma jóia, por qualquer fantasia, somas fabulosas, inacreditáveis, entretanto, exerce pressão vergonhosa sobre a sua bordadeira que lhe cobra uma miséria por qualquer trabalho feito com sacrifício inaudito, em horas triturantes de agonia, à noite depois de exausta do trabalho diário do atelier – no qual também já lhe tiraram gotas de sangue, na amargura da exploração pelo salário quotidiano.
Chora ante o ecran do cinema e fica impassível ante as injustiças sociais

Sentimentalismo de epiderme que faz chorar ante o écran do cinema e, todavia, soluça em torno da elegância caridosa, toda a miséria ciclópica da luta pela vida e ela não vê, não quer ver o sofrimento milenar da mulher proletária , calculadamente cultivada a sua ignorância através do pão duro de cada dia, no trabalho exaustivo da fábrica, das oficinas e no lidar doméstico – servindo à ociosidade farta da alta sociedade ou dos bordéis do vício elegante.A piedade das senhoras caridosas não vê, não sabe da luta dantesca de uma pobre moça do povo que resvala na miséria mais negra se não cai nos braços escancarados da prostituição "necessária" nesta sociedade bestial e moraliteísta. A atividade da mulher elegante só sabe votar-se a essa caridade exibicionista dos salões iluminados, onde ostenta a sua beleza e sentimentos problemáticos de uma bondade estudada no espelho... A mulher é vaidosa e comodista e os psicólogos femininos preocupados em agradar, em fazer psicologia de "boudoir" – não perscrutam, não querem ver a falsidade dos altos sentimentos caridosos do mundanismo elegante. Prefere continuar a sofrer as conseqüências do seu servilismo, da sua submissão a desenvolver o caráter, as faculdades de iniciativa para lutar contando com as suas próprias energias. Procura conservar o seu parasitismo dourado, indiferente aos males sociais: é odalisca e cortesã, mas, vai à Igreja, em horas chics, rezar pelo próximo e, dançando um passo moderno, exerce a caridade. Como é odiosa e perversa essa caridade!

Civilização de protetores e protegidos

E a mulher duplamente escravizada não compreendeu que é necessário sim, alevantar o ânimo abatido do que luta, do que pensa sucumbir aos embates da injustiça social, dar-lhe meios de subsistência pelo próprio esforço e fazer dele um indivíduo capaz de ver a casta civilização de fartos e famintos, de ociosos parasitas vivendo à custa do sacrifício alheio, civilização de protetores e protegidos, de lobos e cordeiros, em que os mais altos sentimentos se confundem com as mais torpes baixezas, de chibata azorrague, de avariose e cafetismo, de excesso de ociosidade e excesso de miséria. E tudo, inclusive, principalmente a literatura, essa literatura nefasta, de elogios, de louvores incondicionais, literatura odiosa endeusando a fêmea, literatura à Júlio Dantas tudo contribui para o cultivo sistemático da pieguice, de chiliques e requebros, do falso sentimento, do sentimentalismo para o público. E o raciocínio, por si obscurecido através da escravidão feminina secular, da tutela dos dogmas e da moda, dos prejuízos e da rotina, fecha-se sob a chuva de galanteios, de frases feitas. E a mulher esquece-se de que tem mais alguma coisa além da sua carne, do seus contornos perturbadores. Deixa de ser mulher para ser apenas o animal do homem. A grande miséria, a enorme dor das injustiças sociais vive ao seu lado e a mulher desvia o olhar para poder divertir-se, gozar das regalias e do seu comodismo de "bibelot", de lulu número 1, prisioneira nas gaiolas douradas das avenidas elegantes, sempre a mesma escrava, odalisca e cortesã.

Adormecida dentro dos trapos

A alma feminina jaz adormecida dentro dos trapos, das jóias, do império da moda, – a eterna sultana desse harém de civilizados que ainda compram, vendem, exploram, seduzem, abandonam por imprestável a mesma mulher, cuja posse exclusiva consiste a sua preocupação única. É deprimente a situação da mulher superior, neste meio de cafetismo social, em que os homens não sabem olhar uma mulher senão desrespeitando-a.

E para quê enumerar essas associações atrasadas do feminismo de caridades?
Sem dúvida é doloroso perscrutar as misérias dos famintos, da nudez, dos cortiços.

Mas, não se trata de esverrumar a causa da chaga sangrenta da miséria, mesmo do coração da opulência, ao lado da ociosidade que se diverte cinicamente, depois de atirar uns níqueis para os esfaimados, níqueis roubados ao trabalho árduo dos explorados do salário.


Divertimentos à custa da dor


Há apenas a preocupação de se jogar migalha na boca escancarada da fome, talvez para que nos deixem em paz... E, divertir-se a custa da dor, da amargura, da fome, é insultar o sofrimento.

E a miséria está de tal modo humilhada, deprimida, que nem forças tem para devolver, orgulhosamente, os restos que se lhe atiram através dos esplendores dos salões elegantes, por entre as pontas dos dedos enluvados para que não volte um salpico das calçadas a enlamear-lhes as mãos dadivosas. Não houvesse ociosos fartos, degenerados pelo tédio e pelos vícios elegantes, não houvesse a exploração do homem pelo homem, não houvesse a exploração da mulher pelo homem, e certo não seria "necessária" a prostituição, essa perversidade inominável em nome da virtude.

A caridade é "a janela da consciência", aberta para a exploração diurna e noturna do proletariado nas oficinas, nas fábricas e do camponês, do colono na agricultura. Para que a elegância brilhe, para que triunfe o mundanismo, para que os "cabarets" e os "cassinos chics" regorgitem de ociosos – é preciso que o colono, campônio e o operário de ambos os sexos seja triturado, dobrado, esmagado nas oficinas, na lavoura, nas fábricas, dia após dia, sem tréguas, sem nenhum direito a não ser o direito ao trabalho obrigatório.

As várias superstições


É a escravidão moderna do salário para matar a fome e cobrir a nudez dos filhos, também cedo destinados à exploração torpe e miserável do parasitismo social, incansável na sua faina, de acumular bens para gozar à custa do suor exaustivo das máquinas de trabalho, dos animais de tiro, do proletariado mundial. Devemos à superstição governamental, à superstição religiosa sectarista, à superstição patriótica, à superstição nacionalista, à superstição do progresso material, à ganância de uns e ao servilismo da maioria – o predomínio desta civilização de duas classes sociais: a dos ricos e a dos pobres.

A humanidade custará a compreender que a vida social poderia desdobrar-se num ambiente de solidariedade, de auxílio mútuo, sem amos nem escravos, sem protetores e protegidos, sem representações parlamentares em mediocracias diplomadas...

Religiões - instrumentos de explorações dos incautos


Levará ainda tantos séculos a perceber que as religiões organizadas, política e economicamente, não são senão instrumentos de exploração dos ignorantes, dos desfibrados, dos ambiciosos, dos moluscos, dos que carecem de espinha dorsal... Ninguém cresce na sua individualidade através da consciência ou, talvez, da inconsciência de outrém. Não é demais repetir que a atual organização social baseia-se na ignorância de uns, no servilismo da maioria, na astúcia de outros, no comodismo de muitos, na exploração dos espertos, na felicidade dos "proxenetas" e "souteneur ", desse cafetismo, desse regime de concorrência, em que se compra e vende tudo, inclusive o Amor e a Consciência – as mais altas manifestações do que é nobre e belo e grande, do que tumultua na vibração interior da nossa vida profunda.
Representação parlamentar: circo de cavalhinhos

Sentimos que as mentalidades de "elite" ultrapassaram de há muito a moral atual que tenta acorrentar ainda as aspirações humanas libertárias. Tudo faliu: a igreja, o parlamentarismo, a academia, a instituição legal do casamento, o ensino universitário, o patriotismo. Pois bem: é agora que a mulher vem reivindicar o direito do voto – quando a representação parlamentar é circo de cavalinhos, o sufrágio universal uma mentira. A mulher, essa energia latente formidável que vem despertando para a atividade social, já foi enlaçada pelo passado reacionário – para dispersar todas as suas forças na corrente das "verdades mortas".

Feminismo de votos e feminismo de caridades

É a razão por que não posso aceitar nem o feminismo de votos e muito menos o feminismo de caridades. E enquanto isso a mulher se esquece de reivindicar o direito de ser dona de seu próprio corpo, o direito da posse de si mesma. Sou "indesejável", estou com os individualistas livres, os que sonham mais alto, uma sociedade onde haja pão para todas as bocas, onde se aproveitem todas as energias humanas, onde se possa cantar um hino à alegria de viver na expansão de todas as forças interiores, num sentido mais alto – para uma limitação cada vez mais ampla da sociedade sobre o indivíduo. Que representa uma "creche", um hospital ou o direito de voto ante a vastidão dos nossos sonhos de redenção humana pela própria humanidade? É subir mais alto o coração e o cérebro, ver horizontes mais dilatados -além do sectarismo religioso ou da superstição social governamental. Isso é feminismo? Dêem o nome que quiserem, pouco importa: o que esse feminismo (não me agrada a expressão tão estreita para ideal tão amplo) reivindica é o "Direito Humano", o Direito Individual, acima de qualquer outro direito, além dos direitos limitados ao parlamentarismo, além dos direitos de classe.
Maria Lacerda de Moura

Revista Utopia # 9



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